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O Nosso eterno - THE KING

28/08/2015 | Arnaldo Baptista Ramos - O rei do basquete

O Texto publicado na edição impressa de 26 de agosto de 2015 da Redação – JORNAL GAZETA DO POVO

A melhor definição para Arnaldo Baptista Ramos era seu apelido: The King, ou seja, o rei. O reino dele era formado pelas quadras de basquete de Curitiba. A “coroação” foi dada pelos amigos de esporte e definia não só a habilidade dentro das quadras, mas também o espírito de liderança e administração. Arnaldo nasceu em Araçatuba, no interior de São Paulo, mas dizia que se tornou um curitibano desde o dia em que pisou pela primeira vez na cidade, em 1954. Antes mesmo de chegar ao Paraná, já mostrava talento para o esporte no interior paulista. Lá praticava todas as modalidades que conseguia. O basquete, porém, era a que mais lhe agradava.

O primeiro emprego foi como representante comercial, cargo que exerceu também em Curitiba, mas deixou de lado para se dedicar somente ao esporte. Na capital paranaense, sentia falta das atividades físicas e então saiu em busca de um local em que pudesse praticar exercícios. Encontrou refúgio no Círculo Militar do Paraná, no qual se associou e começou a movimentação pelo esporte amador. Depois de participar e incentivar diversas mudanças nas modalidades praticadas na instituição, recebeu a proposta para atuar como diretor de esportes. Revolucionou essa área, organizou o calendário de treinos e campeonatos.

Pela boa gestão no Círculo Militar, foi trabalhar na Federação Paranaense de Basquete. Atuou em diversos cargos, incluindo o de presidente. Nesse período acompanhava desde as categorias mais jovens até os campeonatos seniores. Por estar sempre na linha de frente, ficou conhecido e querido por pessoas de todas as faixas etárias. Mesmo atuando na administração, não deixou de lado a vida de atleta e ganhou títulos até os 84 anos.

The King também reinava fora das quadras. Era comum vê-lo pela cidade a bordo do seu Chevette vermelho, companheiro de mais 30 anos. Durante os passeios, observava problemas como buracos nas ruas ou falta de iluminação, anotava tudo e corria para cobrar uma solução dos responsáveis. Era figurinha carimbada em audiências públicas em várias regiões da cidade. Pela dedicação com a comunidade, foi convidado a trabalhar na Prefeitura de Piraquara. Sempre buscava melhorias para o município e para o esporte.

Quando chegou a Curitiba, Arnaldo tinha acabado de se casar com Irene Ramos. Se conheceram no interior de São Paulo. Lá ele já era uma “personalidade” do esporte local. Chamava a atenção dentro de quadra pelo talento e fora dela pelo bom humor e simpatia. Irene se apaixonou pelo jeitão simples de Arnaldo. Ficaram juntos até 1998, quando ela faleceu. Em 42 anos de casado, tiveram duas filhas: Maria Cristina e Elizabeth Helena. As meninas tornaram-se suas grandes companheiras depois da partida da esposa. Arnaldo também ganhou uma nova companhia com a chegada da neta, Claudia Cristina.

O cestobolista também era visionário – como muitos amigos o definiam. Em alguns eventos, por exemplo, aconselhava mudanças para que no final ocorresse tudo bem. Quando os conselhos não eram seguidos, os problemas apontados sempre eram registrados. “Ele parecia saber de tudo. Prestava atenção em todos os detalhes do que estava ao seu redor. Quando via que algo daria errado, alertava para que fizessem do jeito certo. Era um comandante”, conta a filha Maria Cristina.

The King sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) no fim de julho e não resistiu. Tinha 86 anos. Deixa duas filhas, uma neta e inúmeros amigos e companheiros do esporte. Dia 29 de julho, aos 86 anos, de acidente vascular cerebral, em Curitiba.

Colaborou: Getulio Xavier.
O amigo Jorge Fontoura fez a redação, encaminhou e foi “adaptada” pela redação da Gazeta do Povo.


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